Governo do Distrito Federal
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20/07/17 às 11h20 - Atualizado em 16/05/19 às 15h51

Conheça os animais idosos do Zoológico de Brasília

 

Por Fernanda Medeiros

 

Com a idade chega os cabelos brancos e mais conhecimento. No Zoológico não é diferente, atualmente, a Fundação Jardim Zoológico de Brasília mantém em seu plantel dezesseis espécies de animais idosos. Dentre répteis, mamíferos e aves são ao todo trinta e cinco animais que recebem, diariamente, alimentação balanceada, cuidados específicos e tratamento diário. São animais que colaboram com estudos e pesquisas de conservação, pois poucas espécies em vida livre chegam tão longe.

 

 Alguns desses animais nasceram aqui no Zoológico como, por exemplo, a tigresa (Panthera tigris tigris) Laila de 20 anos de idade, equivalente a uma senhora de 80/90 anos. Ela nasceu em 27 de dezembro de 1996 e vive com seu companheiro da mesma espécie, apelidado carinhosamente como rabisco com 15 anos e que também é considerado um idoso. A expectativa de vida dos tigres na natureza é de 14 anos, nos zoos pode chegar há 20 anos.  O motivo do aumento da expectativa de vida dos animais não é nenhum mistério. Assim como no caso das pessoas, o cuidado da saúde dos bichos está muito mais sofisticado.

 

 

O Tigre-de-Bengala é uma espécie ameaçada. O zoo participa de projetos de conservação  mundiais para trocar informações e fazer permutas de indivíduos com objetivo de garantir diversidade genética entre estes felinos. A Fundação é uma das instituições no país com o maior sucesso na reprodução de grandes felinos e somente entre 1982 e 2002, nasceram 57 tigres de bengala. “Laila colaborou para a pesquisa, pois é um dos conjuntos genéticos melhor representados no país, seus filhos vão colaborar para a conservação da espécie. Além disso, com Laila, avançamos muito em questões de manejo e bem-estar, e esses novos conhecimentos são aplicados no manejo de outras espécies no Zoo e em atividades de campo”, afirma o diretor-presidente da Fundação, Gerson Norberto.

 

Um estudo publicado na revista Current Biology, aponta que a diversidade genética encontrada em tigres de cativeiro, em alguns casos, nunca tinha sido encontrada em tigres selvagens. O estudo admite que esses exemplares poderão manter características de subespécies já extintas no meio selvagem.  E que pelo menos 20% dos tigres que existem em cativeiro – ou seja, três a quatro mil exemplares – possam ser de raça pura. E mesmo alguns exemplares já com sinais de miscigenação têm enorme relevância no plano da conservação, por terem características genéticas que já não existem na natureza.

 

Segundo a organização WWF, o número de tigres selvagens caiu de 100.000 exemplares em 1990 a 3.200 na atualidade. O tigre de Bengala encontra-se entre as espécies classificados “Em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

 

Respeito pela história

 

A Capitu é um babuíno-sagrado (Papio hamadryas) fêmea, nascida no zoológico de Brasília, em 28 de novembro de 1990. Ela tem 26 anos e precisa de alguns cuidados para facilitar sua locomoção. “Normalmente o recinto dos babuínos tem muitas estruturas altas para que eles se movimentem e pensando na Capitu, fizemos algumas rampas, além de estruturas um pouco mais baixas, tudo para trazer um conforto e facilitar a vida dela”, destaca o Diretor de Mamíferos da Fundação, Filipe Reis.

 

A Fundação abriga outros mamíferos idosos como o Cervo-nobre (Cervus elaphus) fêmea de 20 anos, apelidada de Jeniffer; uma Ariranha (Pteronura brasiliensis), apelidada de Sic que tem 14 anos, uma Cutia (Dasyprocta azarae) com 11 anos; um Veado Cariacu (Odocoileus virginianus) de 14 anos e um waterbuck (Kobus ellipsiprymnus) de 13 anos. Alguns desses animais são oriundos de resgate. O Diretor Filipe informou ainda que os animais idosos precisam de mais cuidados. “Tudo que fazemos é para melhorar a qualidade de vida do animal. Eles têm um manejo especifico, observação diária, alimentação balanceada, ou seja, os animais mais idosos precisam de mais cuidados especiais”, finaliza.

 

Com a Diretoria de Aves não é diferente. As aves mais antigas do plantel são um Casuar (Casuarius casuarius), Cisne-negro (Cygnus atratus) de 15 anos, Arapapá (Cochlearius cochlearius), Guará (Eudocimus ruber) de 23 anos, Avestruz (Struthio camelus) com 17 anos e um Emu (Dromaius novaehollandiae) com 13 anos, sendo que alguns desta espécie há mais de um indivíduo considerado idoso. Os arapapás, por exemplo, estão no Zoológico desde 1996, alguns indivíduos estão com 21 anos de vida. “Temos sucesso na reprodução desta espécie. Ela é feita em colônias. De 68 indivíduos que temos desta espécie, 18 deles são idosos”, destacou a diretora de Aves, Ana Cristina Castro.  A diretora disse ainda que é difícil distinguir a idade dos animais. “As aves não possuem características de longevidade como os mamíferos. Algumas aves de grande porte podem apresentar palidez nas penas, mas em geral, as aves não aparentam nenhuma característica”, finaliza.

 

 

Já os répteis totalizam cinco indivíduos idosos: três cascavéis (Crotalus durissus) uma jiboia (Boa constrictor) e uma jararaca caiçaca (Bothrops moojeni). As cascavéis chegaram juntas em 2000, trazidas de resgate pela Polícia Militar, sem registros biométricos, data de nascimento e local de coleta do animal. Levando em consideração a data da sua chegada, elas estão com 17 anos de idade e a expectativa de vida média destes animais gira em torno de 20 a 25 anos, portanto elas já são consideradas idosas.

 

A jararaca caiçaca foi entregue por um visitante em 2003 e também não constam dados biométricos, data de nascimento e local de coleta do animal. Atualmente, considerando que a hipótese de que o espécime chegou ao zoo em período imediatamente posterior ao nascimento, ele teria atualmente 14 anos (desconsiderando, portanto, anos anteriores). Segundo o diretor de répteis, Alberto Brito, dados registrados em cativeiro, sugerem que a expectativa de vida média desses animais gira em torno de 16 anos.

 

Por fim, a jiboia que foi entregue pela Polícia Militar em 02/08/1998, também sem registros de nascimentos. Levando em consideração a data de entrega do animal, ela tem hoje 19 anos e sua expectativa de vida gira em torno de 25 anos. O diretor garante que são realizadas observações rotineiras com estes animais. “Independente da idade atual da serpente mantida sob os cuidados humanos, é fundamental que sejam realizadas observações rotineiras no estado geral do animal, o que inclui procedimentos profiláticos (pele, oral e vermifugação), dentre outros. Alterações anatômicas, fisiológicas e comportamentais, quando detectadas no início, podem mais facilmente ser sanadas”, finaliza.

 

 

 

 

 

Além do rigoroso controle alimentar, exames periódicos, controle de fatores como temperatura e umidade nos ambientes de alocação é fundamental para garantir o bem-estar dos animais.  Sendo assim, recintos que buscam manter características do ambiente natural da espécie são essenciais para garantir o aumento dessa longevidade.

 

“Todo o conhecimento adquirido ao longo doa anos no manejo com estes animais, são fundamentais para embasar tanto os programas de reprodução, mantendo populações geneticamente viáveis, assim como para os procedimento necessários a preparação de cada indivíduo para soltura ou reintrodução, reitera Dr. Gerson Norberto.

 

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