Governo do Distrito Federal
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27/10/17 às 18h12 - Atualizado em 14/11/17 às 15h12

O mundo precisa de mais harpias

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Na mitologia grega, as harpias eram sedutoras mulheres com metade do corpo em formato de ave de rapina cuja beleza, crueldade e violência eram utilizadas pelos deuses para punir quem os contrariasse. A harpia (Harpia harpyja) da vida real não é menos impressionante. Também conhecida como “gavião-real”, a espécie é uma das maiores aves de rapina do mundo, com dois metros de envergadura e podendo pesar até nove quilos. Sua postura imponente é reforçada pelas plumas que compõem o penacho na cabeça e as garras de sete centímetros nos pés, que são usadas para capturar os macacos e preguiças dos quais se alimenta.

 

Outrora encontrada desde o México até o norte da Argentina, a harpia desapareceu do Rio Grande do Sul e várias áreas da Mata Atlântica devido à caça ilegal e destruição do habitat. Sua preferência por florestas primárias, com pouca ou nenhuma interferência humana, torna-a extremamente vulnerável ao desmatamento pelo avanço das cidades, fazendas e construção de estradas e hidrelétricas. Estima-se, por exemplo, que sua população possa diminuir em 30% nos próximos 50 anos. Isso é ainda mais preocupante quando descobrimos que esta preferência da harpia a faz ser um indicador da saúde do ambiente, e que florestas, principalmente as primárias, fornecem serviços ambientais, como água e ar puro, melhor do que aquelas que sofreram alterações por mãos humanas. Para se ter uma ideia da importância disto, os serviços ambientais gerados por florestas saudáveis equivalem a 3.813 trilhões de dólares na economia mundial.

 

Esta talvez seja, para muitas pessoas, a razão pela qual devem ficar preocupadas pelo fato da harpia ser considerada uma espécie “quase ameaçada” e dependente de esforços conservacionistas, estando incluída nos Planos de Ação Nacionais para a Conservação de Aves de Rapina e Aves da Amazônia.

 

O Zoológico de Brasília é uma das instituições que participa destes Planos de Ação, somando forças para garantir que haja um futuro com esses imensos gaviões voando sobre os céus. Atualmente, cuidamos de um casal de harpias, carinhosamente apelidados de Jorge e Baiana, que já apresenta comportamento de acasalamento e confecção do ninho. A Baiana, inclusive, já fez a postura de três ovos não fecundados, indicando que estamos no caminho certo. Tudo isso faz jus a um importante precedente histórico que pouca gente sabe ou lembra, mas o maior programa de reprodução da harpia no mundo começou por causa de uma fêmea cuidada pelo Zoo.

 

O programa mantido pelo Refúgio Bela Vista da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR), conta com mais de 30 aves nascidas desde 2005. Tudo iniciado por uma harpia que viveu bem aqui no Distrito Federal e que nos dá esperança para o namoro do Jorge e da Baiana gere filhotes num futuro próximo. Se você também deseja vislumbrar essas aves imponentes, venha nos visitar e conhecer o nosso trabalho. Venha nos ajudar para que as harpias não existam apenas na mitologia. Afinal, o mundo precisa de mais #harpias!

ZOO - Governo de Brasília

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