Governo do Distrito Federal
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27/02/19 às 9h51 - Atualizado em 31/07/19 às 11h01

Sobe o número de resgate de animais silvestres em áreas urbanas

É comum de se encontrar um passarinho caído do ninho, um saruê atropelado com filhotes ou até mesmo uma apreensão de um papagaio ou arara que estava mantido em cativeiro irregular. Mas, afinal, para onde vão esses bichos que são resgatados, eles ficam sob responsabilidade de qual órgão?

 

No ano passado, foram mais de 2.300 animais silvestres resgatados pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) em casas ou ruas do DF, enquanto que, em 2017, foram registradas 2.183 ocorrências. Pode-se afirmar que esse aumento gradativo de encontros com animais silvestres é devido a ocupação de ambientes naturais pelo ser humano aliado ao crescimento desordenado das cidades. A maioria desses registros é de resgate de uma espécie de gambá, conhecida como saruê (Didelphis albiventris).

 

Ao se deparar com esse animal dentro da sua casa ou em algum espaço público, a recomendação é ligar para o BPMA, por meio do disk 190. Não é aconselhável que seja feito o manejo do animal por conta própria ou que tenha certo tipo de contato físico com o bicho. O biólogo e diretor de mamíferos do Zoológico de Brasília, Filipe Reis, explica que os saruês não apresentam perigo eminente, mas caso se sintam ameaçados, podem atacar para se defender.

 

Tanto com os saruês como os animais em geral que são resgatados, se os policiais ambientais detectarem que o bicho aparenta estar bem fisicamente e comportamentalmente, é feita a soltura imediada no ambiente natural. Caso ele apresente algum ferimento, os policiais o encaminham ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que decide o destino do animal. Uma vez a captura feita a noite, durante o final de semana ou se o bicho for de médio a grande porte, ele é encaminhado para a equipe de plantão de veterinários, biólogos, zootecnistas e cuidadores do Zoológico de Brasília. Depois de os funcionários do Zoo prestarem todos os cuidados ao animal, é feito uma avaliação se há condições de reinserí-lo na natureza e, caso positivo, o Ibama realiza o manejo para a soltura.

 

 

Saruês

O gambá-de-orelha-preta ou saruê é um marsupial, uma vez que o indivíduo fêmea desta espécie tem uma dobra de pele denominada marsúpio, como se fosse uma bolsa, provido de glândulas mamárias para o desenvolvimento do feto que nasce prematuro, assim como ocorre com os cangurus. Filipe Reis explica o motivo de esses saruês serem comuns na região do cerrado. “Essa espécie de gambá é considerada generalista, isso porque ela tem facilidade de se adaptar a viver e a se alimentar de maneira diversa, habitando, em muitos casos, em forros de casas, caixas de água e até de esgoto, se alimentando muitas vezes de sobras de alimentos humanos. Essa espécie consegue se adaptar muito bem quando há a presença do homem, por isso é tão presente nos espaços mais urbanos da cidade”.

 

Para evitar encontros imprevistos com os saruês em residências ou locais públicos, o indicado é não deixar restos de alimentos em áreas expostas, onde o animal possa acessar, e evitar áreas que sirvam de abrigo. Filipe Reis destaca a necessidade de viver em harmonia com a fauna nativa de nossas cidades, uma vez que é o lar desses animais também. Cada espécie tem sua importância para o ecossistema, que tem um sensível balanceamento e, de acordo com cada atitude, pode causar um grande dano para o meio ambiente. Por exemplo, os saruês são importantes para dispersão de algumas sementes e para controle de invertebrados.

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