Governo do Distrito Federal
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4/08/20 às 20h33 - Atualizado em 4/08/20 às 20h56

Zoo de Brasília explica decisão inicial de não manter naja-monóculo

Quando se pensa em zoológico, logo vem à cabeça um espaço repleto de animais das mais diversas espécies, nativas e exóticas, expostos para visitação. Esse é um conceito no qual muitos estão habituados a ouvir, mas que não condiz com a realidade da Fundação Jardim Zoológico de Brasília (FJZB). Pouco se sabe também que há um estudo por trás de cada animal que compõe o plantel do Zoo, chamado de Plano de População. É com base neste documento que são levados em consideração critérios que justifiquem o fato de a FJZB não ter interesse em permanecer com a naja-monóculo, serpente apreendida após acidente com estudante de medicina veterinária suspeito de tráfico de animais silvestres.

 

Atualmente, a instituição possui a concepção de zoológico moderno, ou seja, as espécies mantidas nela devem atender a propósitos de conservação, pesquisa e educação com bem-estar e planejamento com base científica. Para atingir esse objetivo, há o Plano de População do Zoológico de Brasília, documento que prioriza espécies que são nativas do cerrado; que apresentam algum fator de conservação; e que têm potencial para educação ambiental. Além desses critérios, são levados em consideração fatores relacionados a infraestrutura e a segurança, sobretudo em casos de espécies peçonhentas.

 

Segundo a Instrução Normativa do Ibama nº 7, de 30 de abril de 2015, caso a instituição não tenha o antiveneno específico de uma espécie peçonhenta que seja o suficiente para o tratamento de, no mínimo, três acidentados, o animal é imediatamente apreendido pelo órgão. O fato de não haver o fornecimento regular do soro antiofídico no país para a peçonha da naja-monóculo, além de colocar em risco a equipe que trabalha diariamente no serpentário de Brasília, vai contra à determinação do Ibama.

 

Das 27 serpentes que a FJZB acolheu, em julho, oriundas de apreensões e entregas voluntárias, apenas cinco espécies se enquadram nas diretrizes do Plano de População e haveria interesse da instituição, caso definido pelo Ibama, em incluí-las no plantel, são elas: periquitamboia, cobra-papagaio, jararacuçu, salamanta e jiboia-de-Madagascar.

 

“Nós abandonamos o conceito de apenas exibir animais que as pessoas querem ver. Nosso objetivo aqui é muito maior. Temos que priorizar os animais que dependem dos nossos esforços para que não desapareçam para sempre da natureza, por meio da reprodução em cativeiro, da pesquisa científica e da educação ambiental perante a sociedade”, enfatiza o superintendente substituto de conservação e pesquisa do Zoológico de Brasília, Filipe Reis.

 

Mesmo sem ter, até o momento, a destinação final definida pelo Ibama, o Zoológico de Brasília garante todos os cuidados necessários para garantir o bem-estar a todos os animais, além do monitoramento diário pela equipe técnica da instituição.

 

A Fundação enfatiza que quem mantém animais silvestres ou exóticos de forma irregular pode fazer a entrega voluntária ao Ibama em todas as unidades do país sem responsabilização penal. A população também pode denunciar suspeitas de criação por meio da “Linha Verde”, no telefone 0800-618080.

 

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília

Plano de População
O Plano de População de Espécies foi criado em 2018 pela equipe técnica do Zoológico de Brasília e tem vigência por cinco anos. Os trabalhos e os investimentos na Fundação devem ser direcionados, prioritariamente, ao manejo de populações saudáveis e viáveis de animais com potencial de contribuir para a conservação de suas espécies na natureza, à educação do público sobre como evitar ou minimizar os impactos antrópicos no mundo natural e ao avanço do conhecimento relacionado ao bem-estar e à conservação animal.

 

Caso surja o interesse ou disponibilidade para trabalhar com uma espécie nova, não inclusa no Plano de População de Espécies em vigor, deve-se submeter a espécie em questão a todas as etapas do processo de planejamento para averiguar se é adequada ou não ao plano da FJZB.

 

Vale ressaltar ainda que o Plano de População está em constante atualização na medida em que novos estudos e pesquisas são descobertas.

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Fundação Jardim Zoológico de Brasília

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